O som do coração

23-06-2011 15:22

Hoje acordei eufórica. Mercúrio saiu do movimento retrógrado mais cedo para mim. Corri para o computador onde minha história esperava para ser reescrita. Mas uma música na TV a cabo me chamou. Um filme começava e, na trama, alguém buscava outro alguém pelo som – O Som do Coração. Entrei na energia e senti que o chamado se faz, diariamente. Nós é que estamos ocupados demais para ouvir. As conexões caem e as pessoas certas – que pulsam na mesma freqüência – acabam por se afastar novamente.

Para mim os chamados vêm por escrito, seja em sonhos, no scrap de amigos nas redes sociais ou num outdoor pela rua. O empurrão que faltava para este livro se diluir de mim veio da amiga Vivi, através do Orkut, que dizia simplesmente: “Não esqueci você. Saudade de ler tuas crônicas no jornal. Volta a escrever”. O chamado foi ouvido porque a solitude assim o permitiu. Chegou em momento de reclusão onde a alma transparece com mais facilidade. Sabe-se que a solidão é a cura para a sensação da falta de espaço. Tanto que minha última escrita tinha sido esta:

“Estou aqui. Tentando botar ordem nesta cabeça confusa. Dar um Norte para as ideias extraviadas. Disciplinar os acontecimentos. Tomar pé do que passou e, o leme do que está por vir.

Estou só. É uma solitude criada. Voluntária. Uma trégua para juntar forças para as próximas batalhas.

Estou em paz. Desculpe amor. Mas estou muito mais em paz agora do que qualquer dia já estive. Não há mais nada contrariando os princípios que me regem. Estou finalmente, inteira.”

Talvez o mais interessante em tudo seja a data que comecei a reescrever minha história: 11 de setembro, o dia em que caíram as torres gêmeas do World Trade Center nos Estados Unidos, há nove anos. Torres desabando, morte, destruição, dor, choro e recomeço. No tarô a Torre sinaliza destruir tudo para recomeçar. Em mim, o mundo interior desabava também. Mas, apesar de nada enxergar através dos escombros, confiava no pós-morte. Outra melhor viria. Estava escrito. Ia sair dessa.

 

 

O PROCESSO DA ÁGUIA

 

Recostada no sofá, olhando a rua lá fora – o choro corria solto mareando os olhos. Era noite na Terra e na minh’alma. Impotente perante o desespero instalado forcei reação. Invoquei o Eu Sou com toda a força que me sobrara, fiz afirmações buscando a Luz, coloquei meus corpos físico, mental, emocional e espiritual nas mãos da Presença que rege e governa meu mundo. Isso continuo convicta, desde sempre. Até mesmo nos piores momentos. Graças a Deus. Duas ou três afirmações depois, me dei conta do processo que estava vivendo – o renascer da águia, a fênix. Comparei as situações e cada vez mais me certifiquei que vivenciava o que me tinha sido adiantado na Revolução Solar do ano. A Torre do tarô. A morte e a ressurreição. A fênix renascida. Mais um ou dois minutos lá estava eu, procurando os velhos CDs abandonados de música New Age e acendendo um incenso. Eu Sou a Ressurreição e a Vida desta situação! Um citrino e o meu cristal pessoal - um quartzo branco em franca evolução (como eu) - acompanharam de perto este despertar.

Havia percebido algo diferente na reclusão voluntária que estava me impondo. Se assemelhava a uma crise depressiva, mas havia um quê de consciência que não presenciara no processo dos outros nos doze anos de consultório. Agora entendia. Tudo ficou muito claro e me senti segura de novo. Não estava “doente”, mas simplesmente, trocando a casca. Isso me alegrou sobremaneira e me lancei a escrever nas páginas já quase empoeiradas deste livro. Uma nova vida estava pulsando dentro de mim e trazia um alento à carcaça carcomida da velha águia. A gestação estava adiantada.

Das minhas unhas compridas, que usava sempre pintadas de cores fortes e elegantes, só restaram os tocos. Me doem os dedos mastigados pelos dentes ávidos por arrancar o que já não serve para dar lugar ao novo.

Outro sintoma que sinalizava em minhas constantes auto-análises era a cada vez maior intolerância por energias desclassificadas, de baixo teor. Os joguinhos humanos de sedução ou de poder que enfeiavam as feições dos homens e mulheres, os gostos primários por coisas unicamente da matéria, a mesquinharia, seres originalmente divinos se vendendo por interesses... nada mais eu conseguia conviver, nem mesmo aturar. Fugia das pessoas e lugares em busca de segurança, de isenção da minha aura que estava escalpelada e... consequentemente mais frágil.

Desde novembro de 2008, Saturno tem transitado pela Casa VIII do meu mapa, onde permanece até outubro de 2011, acentuando as áreas financeira, sexual/emocional, psicológica e espiritual. Hora de acabar com velhos padrões. Período de renascimento, mas também de profundo sofrimento. Até aí sem novidade. Para renascer é preciso morrer que eu sei.

Na Revolução passada - abril de 2009 a abril de 2010 -, minha amiga Sílvia Kerelin, grande astróloga e confidente, mencionara a história da águia. Falou da renovação para poder viver mais trinta anos. Pois a hora é chegada e a águia voa da mitologia direto para a minha realidade. Eu Sou a águia desta história. Neste julho e agosto de 2010, como o fizera em duas ocasiões anteriores e recentes, meu Saturno bate de frente com Mercúrio Natal: “período em que te concentrarás e farás uma avaliação em relação ao modo como te expressas. Serás mais confiante”, sublinhou ela. Mudarás tua maneira de pensar, expressar, comunicar e até mesmo de se locomover, finalizava a profecia astrológica que agora vejo se concretizar. E apesar de profetizada, me pegou embasbacada sem saber o que estava me acontecendo.

Mas o tal Saturno não satisfeito com o estrago, ainda faz uma quadratura com meu Marte Natal, me deixando sem energia nem coragem. Mas tudo com a mais pura das intenções, para me forçar a avaliar o modo como venho lutando por meus objetivos nesta vida. Esperto ele!