Agora chega

23-06-2011 15:20

Chega o dia que você acorda e só quer dizer: estou cheia de suas velhas fórmulas, obsoletas e ineficazes. Deixa eu fazer do meu jeito. Neste momento você toma consciência de que para mudar uma situação ruim basta mudar o próprio jeito de agir. E pára de tentar mudar o outro. Com isso você cresce. E o horizonte à sua vista se agiganta.

O outro pára no impacto da revelação. Mas com o tempo tomará uma atitude – seja se encolher e posar de vítima ou espernear e correr atrás. “Ele me envelheceu com seu jeito antigo de postergar tudo. Enfileirar atitudes (nunca tomadas) para um dia no futuro. Logo eu, dona da ação. A senhora do próprio destino. To fora!”

Você então, já crescidinha, vai ocupar seu lugar no mundo. Abre suas asas numa envergadura nunca antes sonhada e se lança num espaço até então não pisado. Ou percorrido pelas mãos e olhos do outro. O chão te recebe e convida a fincar raízes, mas você quer o céu. As nuvens teimam em impedir o olhar de atingir o ápice, até mesmo porque seus olhos desacostumaram de ver tão longe. Mas aos trancos e barrancos você prossegue e ao final de cada dia, a vida se encarrega de repor. A primeira atitude é mudar alguma coisa. Cortar ou pintar o cabelo serve. Comprar sapato, bolsa ou roupas novas também. Fazer uma massagem. Sair fica para depois. Primeiro é preciso por a casa em ordem. Quando mergulhei nos meandros da energia universal que envolve o homem, buscava força para viver. E encontrei.

 

 

OS CRISTAIS DA VIDA

 

Eles entraram na minha história através de uma amiga, uma “mãemiga”, que me abriu graciosamente as portas de um mundo novo e enternecedor. Meu primeiro cristal era feio por fora, mas nem percebi – era um cascalho de quartzo branco. A gratidão pelo presente e o reconhecimento imediato da força nele contida e do universo a desvendar preencheram minha atenção, de modos que o resto se tornou mera aparência. Me conectei de tal forma que nos tornamos unos e outros vieram, aos borbotões. Quando me dei conta, estava montando um consultório de atendimento e filas de espera se formavam. Livre do medo fui em frente e os quartzos, ametistas, rodocrositas, ágatas, jaspers e pedras da lua e do sol, fizeram o resto. Com os canais totalmente abertos, o acompanhamento espiritual não tardou e os resultados modificaram a vida de muitos para melhor. Não resolvi os todos os problemas do mundo, muito menos os meus, mas deixei a marca da minha passagem. E quando mais precisei, o retorno veio em forma de alento e coragem nas horas mais grotescas.

 

 

QUEM MENTE NÃO FICA

 

No meio desta metamorfose toda desencantei uma parafernália de tralhas guardadas a sete chaves. Mágoas passadas, antigas crenças e lições de moral que colhera pela vida afora. A falta de verdade, o engano, a teia de armações da qual já tinha sido vítima milésimas vezes no segundo casamento, foi uma delas.

Pois olha que a tal da mentira tem perninhas muito curtas como dizia minha avó.  E quem faz uso do tal subterfúgio acaba caindo do cavalo logo adiante. Quando a velha fórmula é aplicada para tentar contornar alguma situação no relacionamento então, nem me fale. Ao invés de ensinar aos meninos do passado que homem que é homem não chora, deviam ter apregoado em suas mentes: homem que é homem não mente.

Enganar ou tentar enganar àquela mulher que diz amar é perda de tempo. Nós mulheres já nascemos com um dispositivo detector de mentira, que buzina ao menor deslize. Ainda que se passe um tempinho, mas a verdade vai saltar. Ah, se vai! E aí meu guri, você vai espernear para se safar, por que mulher, definitivamente, não nasceu para ser enganada.

E não importa o tamanho da mentira, importa o ato ou a tentativa de mentir. Tentar corrigir com outra mentira, pior ainda. Nem tente. Você vai se sujar para sempre. O deus da guerra sempre está no coração das mulheres, sejam elas fortes ou pacatas. Não o acorde, para seu bem! Deixe que ela reserve sua força de Marte para suas conquistas e determinações.

 

 

A MULHER QUE EU FUI

 

Como se olhasse em um espelho, vejo minha filha, hoje mãe, atuando, harmonizando, juntando e limpando as partes da discórdia. Ela me orgulha, mas ao mesmo tempo me entristece, porque traz de volta o questionamento: para onde fui? Onde está aquela igual a ela? Terá concluído sua tarefa ou simplesmente se acomodado? Enquanto isso, pego carona na sua voracidade afoita em consertar o mundo e retomo um pouco da antiga rota. Agora com mais calma e sensatez.